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EXCALIBUR, Máis que um filme, por Francesc Sánchez-Bas

EXCALIBUR, Máis que um filme,  por Francesc Sánchez-Bas

 

 

 

 

 

 

AS IDADES OBSCURAS.

A TERRA ESTAVA DIVIDIDA E SEM REI.

NO MEIO DESTE TEMPO PERDIDO

COMEÇOU A LENDA DO MAGO MERLIM

E A CHEGADA DUM REI,

DUMHA PODEROSA ESPADA: EXCALIBUR 

FICHA TÉCNICA:

Diretor e produtor: John Boorman

Actores: Nigel Terry como Artur, Helen Mirren como Morgana, Cherie Lunghi como Genevra, Paul Geoffrey como Perceval, Nicol Williamson como Merlim, Liam Neeson como Gawain.

Orion Pictures 1981

 “Entramos nas fauces do Dragom...” Achamo-nos, sem dúvida, ante um mito que foi plasmado plasticamente para chegar a um público desejante de novidades e originalidades. E ainda assim, queira-se ou nom, constata-se um facto muito importante: Este filme inspira e desperta os mais nobres anelos de muitos jovens.Como algo que acorda desde os tempos mais remotos e imemoriais, apresenta-se como um impacto no nosso interior dormido, na Lembrança Espiritoal do nosso Sangue.As personagens desta maravilha d arte cinematográfica, encarnam de jeito imelhorável o papel que lhes foi assinado. Muitos somos os que ficamos impregnados dessa figura cheia de Sabedoria e simpatia que é Merlím, dessa Nobreza, símbolo da Amizade, que é Lanzarote, desse constante afám por manter a Paz e a Justiça, que é Artur, ou dessa Juventude inocente com ânsia de aventura e autosuperaçom que é Perceval. Cada personagem conquista-nos profundamente harmonizando o seu aspecto exterior com o espírito que irradia desde o seu corassem em cada gesto, em cada olhada, em cada palavra. Curiosamente, todos som actores quase desconhecidos, como se vinhessem expressamente do mundo da lenda, do além dos tempos, para despertar umha Lembrança que permanece dormida durante séculos. Qual foi a intençom do diretor? É muito difícil sabê-lo. É possível que seja totalmente inconsciente da sua obra. É possível que no seu afám de conquerir umha novidade radical, tenha obtido esse resultado. Nom podemos negar que no filme nom exista umha rigorosidade em quanto ao seguimento da lenda, o qual nom é nem mais nem menos que o que fazem todos os diretores quando querem fazer algo demasiado grande. Que existe umha concessom á morbosidade do grande público? É possível, porém esse “enorme gasto” de sangue do que tanto se lhe acusa, ou o famoso lance do corvo comendo um olho, nom fazem mais que dar um acento mais cru que nos achega minimamente ás dramáticas circunstâncias que as personagens estam a viver. A partir destes toques de crueza e exageraçom, o espectador fai-se partícipe desse mundo em luita. Induvidavelmente, nom tem nada que ver com os clássicos filmes de índios nos que o espectador passa o tempo ou pouco mais, e onde o imperante é a carência de toda Transcendência. 

  O “leit-motiv” deste filme reside no valor do Sangue e todo o que isto significa: Nobreza, Honor, Amizade, Amor... e também a aceitaçom das debilidades, como a traiçom que a pessar de tudo som superadas e redimidas a través da Fidelidade e da Nobreza, ou seja, também póla força superadora que habita no Sangue. O “valor do Sangue” apresenta-se nesta obra como por cima de toda crença ou religiom. Por umha parte aparece a religiom, sem credos, sem dogmas, que só é acessível a través da comunhom com a Natureza e sobre tudo, com o gram Céu que cada herói leva nas suas veias e que deve conquistar. Esta sabedoria é representada por Merlim, que instrue ao homem para que, afinal, quando o momento chegar, fique só e saiba ser um verdadeiro Rei. “Umha Terra, um Rei...” Este é o Segredo do Graal. O esquecimento destas palavras provocou a decadência, a pobreza da terra, as enfermidades e a fame das gentes. Que grande similitude com a atualidade! A Magia reside, precisamente, no recordo de umhas palavras, nem mais nem menos, por que “a perdiçom do homem é o Esquecimento...” A terra, o povo, o Rei, devem ser umha mesma cousa. Mais umha vez, a uniom do Homem com a Natureza, a uniom do Sangue e do Solo: “Unha Terra, um Rei...”.Por outra banda, umha magia negativa, a do ódio, a do rancor e da vingança, a que hoje impera no mundo; a magia que foi roubada por aqueles que nom a merecerom, o Mundo de Morgana e de Siom.

 Merlím é a estrela do filme. As suas frases vivem de seu: “quando um homem minte, mata umha parte da Humanidade...”; “Lembra: sempre hai alguém mais listo do que tu....”; “O mal e o Bem; dificilmente existe o um sem o outro...”; e sobre tudo “Chegou a hora dos homens e dos seus costumes...” O homem, hoje, nestas moles de cimento, vive de costumes novos ou velhos, pouco importa, mas o definitivo é que ninguém sabe ver o que hai para além do seu nariz. O mais “nobre” dos homens é um ser retorcido, rancoroso, intolerante, que se crê possuidor da única verdade. É um fruto deste mundo computerizado de costumes. Os mais “bons” contentam-se com ter um bom pensamento cada dia, para cotizar nessa seguridade social do “Além” que chamam céu. Na procura do Graal morrem todos os guerreiros, só sobrevive um e ele vence por todos. E como vence Perceval?. No filme reflicte-se bastante bem: Vinte anos de luita, vagabundeando, buscando, para dar-se conta de que nada exterior tinha importância, no fundo todo é um sonho pólo que nom nos devemos deixar arrastar. Afinal, despoja-se de todo atributo, de toda vestimenta e mais umha vez, praticamente nu e com o único que lhe quedava, a Esperança, a Fé, responde ante o gram Secreto para descobrir o que foi na origem: “Umha terra, um Rei...”. Nada era mais importante do que estas palavras. Ele, sozinho, nu, com o seu corpo, com a sua Esperança, com a sua Fé, e com o seu Rei, tudo era umha mesma Unidade, e nengumha outra cousa tinha importância. É a Suprema Singeleza, revelada em palavras tam grandes como Fidelidade, Honor, Amizade... e revelada também num caminho cruel marcado póla luita e o Desapego.Surpreende que, o que isto escreve, poda ver, num filme como este, todo o contrario do que algumha outra pessoa pudesse interpretar. E nom deixa de ser surpreendente que, até alguns realizaram umha autêntica perseguiçom intelectual totalmente obsessiva contra este filme. Cumpre saber que quem possua a Verdade nom deveria ter medo a perdê-la. 

Qualquer aspecto do filme poderia ter umha interpretaçom na Luita Eterna da nossa Raça, girando tudo em torno á tam mítica Sabedoria Perdida, representada polo mundo de Merlím, como parte humanizada do Gram Dragom, símbolo de tal Sabedoria. Muito significativo é o facto de que, depois de ter desaparecido materialmente e trás o triunfo na Procura do Graal, o Mago volta, e, por que volta? Primeiro, foi derrotado polo Inimigo, que lhe rouba a magia, falseando a Sabedoria, e depois, quando os guerreiros remontam a involuçom.Reconquistando o Segredo Perdido, renasce dentro deles: Merlím passa a formar parte sua, vive o que ele chama “O Mundo dos Sonhos”, “Sonho para uns, pesadelo para outros”. Sendo esta a gram conseqüência do triunfo: o Conhecimento volta ao homem, o homem converte-se por sua vez em Mago, ou seja, é Sacerdote-Guerreiro, no sentido mais elevado da palavra. Merlím e Artur som um mesmo e, a partir desta Reconquista, o Inimigo acha o seu fim, a Obscuridade começa a disipar-se. E veja-se o gram paralelismo mais umha vez com a nossa luita: o derradeiro encontro de Morgana com Merlim. O Inimigo, na sua obsesom e no seu ódio, converteu-no num sonho, trágico para Ele, ainda que esperançador para o Novo Mundo que nascerá regenerado. Merlím foi derrotado e agora nom tem nada que perder e, por isso, aparece-se-lhe a Morgana de forma invulnerável, porquê os Cavaleiros do Graal fixerom-no Eterno. O Derradeiro Batalhom, que tanto tempo estivo aguardando, derrota por fim ao Inimigo. Deste jeito fecha-se um ciclo na Humanidade: a Espada volve ao lago, e Artur viaja á Ilha da Imortalidade, acompanhado da wagneriana “Marcha Fúnebre de Sigfrido”, que pouco tem de morto e muito de Eternidade. Estas forom as suas derradeiras palavras: “Um dia chegará um Rei e a Espada ressurgirá das Águas".Eternamente repite-se o Mito, eternamente volta o Rei Artur e o Mago Merlim, porque vivem no interior dessas Águas que som o nosso Sangue, que é o Mundo da nossa Raça. Vaia este artigo para aqueles que mirarom neste filme algo verdadeiramente superior, sem rancor cara os que tenham rancor, sem ódio cara os que tenham ódio, porque apreendemos algo mais: Artur, Merlim, Lanzarote, Perceval, somos nós próprios, a maior verdade que possuímos é o valor do Sangue que corre pólas nossas veias, o nosso escudo é a nossa Fé, e tudo isto é o que além de todos os tempos, forja a nossa espada: EXCALIBUR!

Anál natchrach, orth´ bháis bethad, do chél denmha.

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