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CULTURA, HISTÓRIA E PENSAMENTO

EXCALIBUR, Máis que um filme, por Francesc Sánchez-Bas

EXCALIBUR, Máis que um filme,  por Francesc Sánchez-Bas

 

 

 

 

 

 

AS IDADES OBSCURAS.

A TERRA ESTAVA DIVIDIDA E SEM REI.

NO MEIO DESTE TEMPO PERDIDO

COMEÇOU A LENDA DO MAGO MERLIM

E A CHEGADA DUM REI,

DUMHA PODEROSA ESPADA: EXCALIBUR 

FICHA TÉCNICA:

Diretor e produtor: John Boorman

Actores: Nigel Terry como Artur, Helen Mirren como Morgana, Cherie Lunghi como Genevra, Paul Geoffrey como Perceval, Nicol Williamson como Merlim, Liam Neeson como Gawain.

Orion Pictures 1981

 “Entramos nas fauces do Dragom...” Achamo-nos, sem dúvida, ante um mito que foi plasmado plasticamente para chegar a um público desejante de novidades e originalidades. E ainda assim, queira-se ou nom, constata-se um facto muito importante: Este filme inspira e desperta os mais nobres anelos de muitos jovens.Como algo que acorda desde os tempos mais remotos e imemoriais, apresenta-se como um impacto no nosso interior dormido, na Lembrança Espiritoal do nosso Sangue.As personagens desta maravilha d arte cinematográfica, encarnam de jeito imelhorável o papel que lhes foi assinado. Muitos somos os que ficamos impregnados dessa figura cheia de Sabedoria e simpatia que é Merlím, dessa Nobreza, símbolo da Amizade, que é Lanzarote, desse constante afám por manter a Paz e a Justiça, que é Artur, ou dessa Juventude inocente com ânsia de aventura e autosuperaçom que é Perceval. Cada personagem conquista-nos profundamente harmonizando o seu aspecto exterior com o espírito que irradia desde o seu corassem em cada gesto, em cada olhada, em cada palavra. Curiosamente, todos som actores quase desconhecidos, como se vinhessem expressamente do mundo da lenda, do além dos tempos, para despertar umha Lembrança que permanece dormida durante séculos. Qual foi a intençom do diretor? É muito difícil sabê-lo. É possível que seja totalmente inconsciente da sua obra. É possível que no seu afám de conquerir umha novidade radical, tenha obtido esse resultado. Nom podemos negar que no filme nom exista umha rigorosidade em quanto ao seguimento da lenda, o qual nom é nem mais nem menos que o que fazem todos os diretores quando querem fazer algo demasiado grande. Que existe umha concessom á morbosidade do grande público? É possível, porém esse “enorme gasto” de sangue do que tanto se lhe acusa, ou o famoso lance do corvo comendo um olho, nom fazem mais que dar um acento mais cru que nos achega minimamente ás dramáticas circunstâncias que as personagens estam a viver. A partir destes toques de crueza e exageraçom, o espectador fai-se partícipe desse mundo em luita. Induvidavelmente, nom tem nada que ver com os clássicos filmes de índios nos que o espectador passa o tempo ou pouco mais, e onde o imperante é a carência de toda Transcendência. 

  O “leit-motiv” deste filme reside no valor do Sangue e todo o que isto significa: Nobreza, Honor, Amizade, Amor... e também a aceitaçom das debilidades, como a traiçom que a pessar de tudo som superadas e redimidas a través da Fidelidade e da Nobreza, ou seja, também póla força superadora que habita no Sangue. O “valor do Sangue” apresenta-se nesta obra como por cima de toda crença ou religiom. Por umha parte aparece a religiom, sem credos, sem dogmas, que só é acessível a través da comunhom com a Natureza e sobre tudo, com o gram Céu que cada herói leva nas suas veias e que deve conquistar. Esta sabedoria é representada por Merlim, que instrue ao homem para que, afinal, quando o momento chegar, fique só e saiba ser um verdadeiro Rei. “Umha Terra, um Rei...” Este é o Segredo do Graal. O esquecimento destas palavras provocou a decadência, a pobreza da terra, as enfermidades e a fame das gentes. Que grande similitude com a atualidade! A Magia reside, precisamente, no recordo de umhas palavras, nem mais nem menos, por que “a perdiçom do homem é o Esquecimento...” A terra, o povo, o Rei, devem ser umha mesma cousa. Mais umha vez, a uniom do Homem com a Natureza, a uniom do Sangue e do Solo: “Unha Terra, um Rei...”.Por outra banda, umha magia negativa, a do ódio, a do rancor e da vingança, a que hoje impera no mundo; a magia que foi roubada por aqueles que nom a merecerom, o Mundo de Morgana e de Siom.

 Merlím é a estrela do filme. As suas frases vivem de seu: “quando um homem minte, mata umha parte da Humanidade...”; “Lembra: sempre hai alguém mais listo do que tu....”; “O mal e o Bem; dificilmente existe o um sem o outro...”; e sobre tudo “Chegou a hora dos homens e dos seus costumes...” O homem, hoje, nestas moles de cimento, vive de costumes novos ou velhos, pouco importa, mas o definitivo é que ninguém sabe ver o que hai para além do seu nariz. O mais “nobre” dos homens é um ser retorcido, rancoroso, intolerante, que se crê possuidor da única verdade. É um fruto deste mundo computerizado de costumes. Os mais “bons” contentam-se com ter um bom pensamento cada dia, para cotizar nessa seguridade social do “Além” que chamam céu. Na procura do Graal morrem todos os guerreiros, só sobrevive um e ele vence por todos. E como vence Perceval?. No filme reflicte-se bastante bem: Vinte anos de luita, vagabundeando, buscando, para dar-se conta de que nada exterior tinha importância, no fundo todo é um sonho pólo que nom nos devemos deixar arrastar. Afinal, despoja-se de todo atributo, de toda vestimenta e mais umha vez, praticamente nu e com o único que lhe quedava, a Esperança, a Fé, responde ante o gram Secreto para descobrir o que foi na origem: “Umha terra, um Rei...”. Nada era mais importante do que estas palavras. Ele, sozinho, nu, com o seu corpo, com a sua Esperança, com a sua Fé, e com o seu Rei, tudo era umha mesma Unidade, e nengumha outra cousa tinha importância. É a Suprema Singeleza, revelada em palavras tam grandes como Fidelidade, Honor, Amizade... e revelada também num caminho cruel marcado póla luita e o Desapego.Surpreende que, o que isto escreve, poda ver, num filme como este, todo o contrario do que algumha outra pessoa pudesse interpretar. E nom deixa de ser surpreendente que, até alguns realizaram umha autêntica perseguiçom intelectual totalmente obsessiva contra este filme. Cumpre saber que quem possua a Verdade nom deveria ter medo a perdê-la. 

Qualquer aspecto do filme poderia ter umha interpretaçom na Luita Eterna da nossa Raça, girando tudo em torno á tam mítica Sabedoria Perdida, representada polo mundo de Merlím, como parte humanizada do Gram Dragom, símbolo de tal Sabedoria. Muito significativo é o facto de que, depois de ter desaparecido materialmente e trás o triunfo na Procura do Graal, o Mago volta, e, por que volta? Primeiro, foi derrotado polo Inimigo, que lhe rouba a magia, falseando a Sabedoria, e depois, quando os guerreiros remontam a involuçom.Reconquistando o Segredo Perdido, renasce dentro deles: Merlím passa a formar parte sua, vive o que ele chama “O Mundo dos Sonhos”, “Sonho para uns, pesadelo para outros”. Sendo esta a gram conseqüência do triunfo: o Conhecimento volta ao homem, o homem converte-se por sua vez em Mago, ou seja, é Sacerdote-Guerreiro, no sentido mais elevado da palavra. Merlím e Artur som um mesmo e, a partir desta Reconquista, o Inimigo acha o seu fim, a Obscuridade começa a disipar-se. E veja-se o gram paralelismo mais umha vez com a nossa luita: o derradeiro encontro de Morgana com Merlim. O Inimigo, na sua obsesom e no seu ódio, converteu-no num sonho, trágico para Ele, ainda que esperançador para o Novo Mundo que nascerá regenerado. Merlím foi derrotado e agora nom tem nada que perder e, por isso, aparece-se-lhe a Morgana de forma invulnerável, porquê os Cavaleiros do Graal fixerom-no Eterno. O Derradeiro Batalhom, que tanto tempo estivo aguardando, derrota por fim ao Inimigo. Deste jeito fecha-se um ciclo na Humanidade: a Espada volve ao lago, e Artur viaja á Ilha da Imortalidade, acompanhado da wagneriana “Marcha Fúnebre de Sigfrido”, que pouco tem de morto e muito de Eternidade. Estas forom as suas derradeiras palavras: “Um dia chegará um Rei e a Espada ressurgirá das Águas".Eternamente repite-se o Mito, eternamente volta o Rei Artur e o Mago Merlim, porque vivem no interior dessas Águas que som o nosso Sangue, que é o Mundo da nossa Raça. Vaia este artigo para aqueles que mirarom neste filme algo verdadeiramente superior, sem rancor cara os que tenham rancor, sem ódio cara os que tenham ódio, porque apreendemos algo mais: Artur, Merlim, Lanzarote, Perceval, somos nós próprios, a maior verdade que possuímos é o valor do Sangue que corre pólas nossas veias, o nosso escudo é a nossa Fé, e tudo isto é o que além de todos os tempos, forja a nossa espada: EXCALIBUR!

Anál natchrach, orth´ bháis bethad, do chél denmha.

A IDENTIDADE EUROPÉIA, por Enric Ravello

A IDENTIDADE EUROPÉIA, por Enric Ravello

A identidade européia nom nasce em Grecia. A identidade europeia nom debe comprender-se como o resultado final de vários e heterogéneos elementos que lhe vam dando forma ao longo do processo histórico. A identidade européia nom é a suma do passado greco-latino por um lado, céltico-germánico por outro e o cristão que na Europa medieval podaríamos chamar euro-catolicismo… A identidade européia é anterior e preexistente a todas estas realidades, sendo à sua vez a que da forma ao mundo greco-latino, ao passado céltico-germánico-eslavo, - meras adaptaçons históricas num espaço geográfico concreto e sobre umhas condiçons determinadas do espírito de Europa-, e a que converte o judeu-cristianismo em umha elevada forma religiosa qual foi a Cristandade medieval, mistura de elementos cristáns e pagáns que durante moitos séculos foi à referência espiritoal dos europeus, e que agora pode deixar de sê-lo toda vez que as instituiçons das diferentes confissons cristãs estam claramente decididas a eliminar os elementos propriamente europeus e a converter ao cristianismo em uma religiom igualitária e universalista fiel somente à mentalidade dos povos do deserto nos que tivo a sua primeira origem.       

A identidade européia nom se “forma”. A identidade européia “nasce” na alvorada da pré-história, quase ao mesmo tempo no que o homem, tal e como hoje conhecemo-lo, aparecem na superfície do nosso planeta. Os europeus somos já reconhecíveis como algo diferenciado desde fai vários milênios. As culturas nord-europeias de Ertebolle e Ellerbeck sinalam o nascimento do que os historiadores chamam mundo indo-europeu que se reconhece por umha linguagem comum, um tipo humano comum, a existência de um lugar primigeneo concreto e sobre tudo e desde um primeiro intre, um determinado  sistema de valores e umha precisa visom do mundo: língua, povo e Cosmo-visom que se expandem por toda Europa conformando e dando origem a todo o que hoje englobamos no conceito de Europa. “Ademais da importância da emigraçom indo-européia reforça-se polo feito de constituir da nova raça um povo com grandes dotes físicos e espirituais, bem contrastados nos impérios e culturas que alcançaram na Antigüidade e que lograram o seu ponto álgido nas civilizaçons grega, romana e medo-persa”. [1]       

      A Cosmo-visom dos nossos antergos indo-europeus compreendia todos os aspectos da realidade: desde o social até o metafísico, desde a política até a filosofia, determinando toda a actuaçom do “homem europeu” ao longo da aventura da Historia. Também o nosso actual sistema de pensamento, em grande parte regida polo que C.G.Jung definiu como arquétipos coletivos.       

        Para os indo-europeus, passados e presentes, a célula básica da sociedade é a família patrilineal , tanto no sentido descendente como ascendente; sendo antigamente por acima dela uma gentilidade mais ampla que indicava um antepassado comum (as gens latinas ou os clans célticos). O seu sistema de governo é o de umha assembléia de guerreiros com poder de decisom, muito longe de sistemas tirânicos e despóticos de raizame oriental, exemplos claros temo-los no senado romano ou nas cortes medievais. No térreo religioso está-se nas antípodas de qualquer conceiçom universalista e igualitária, e consideram-se as diferenças entre os homens algo mais que um acidente conjuntural, um reflexo da ordem do Cosmos, dividindo a sociedade em três categorias à que cada individuo pertence segundo a sua natureza interna; repetindo-se este esquema religioso e social em toda a época pagana e também na Idade Meia católica, que mantêm ainda a mesma divisão social entre: oratores, pugnatores y laboratores.            

 A mulher, ainda dentro de umha sociedade patriarcal, ficava em uma muito alta consideraçom. Em oposiçom ao conceito da condiçom feminina que tinham e têm as civilizaçons do deserto, nas que é assimilada à conceiçom de objeto sexual e pecado, obrigada a prostituir-se pelo menos umha vez na sua vida, ou se lhe oculta o seu rosto com um veio, desde a Antiguidade indo-européia é considerada e honrada e ao pai lhe corresponde a administraçom do fogar. Conseqüência disto é a diferença da realidade que ainda vivem hoje as mulheres européias e as do resto do mundo.   

          No térreo pessoal os reconhecimentos do valor e do espírito heróico ficavam por acima de qualquer outra consideraçom, assim como a fidelidade aos que estavam por acima deles e aos que livremente lha tinham prometido, no mundo latino e medieval da lugar ao conceito de FIDES. Em geral um gosto polo sóbrio, o direto e o cumprimento do dever como jeito de auto-realizaçom caracterizou a todo o mundo indo-europeu. “Nada em excesso”, “Conhece-te a ti próprio”, “Converte-te no que és”, eram as frases que apareciam na entrada de alguns templos gregos, e que, no seu completo significado, fecha em si uma elevadíssima conceiçom do mundo. A nossa conceiçom do mundo.          

    Esta origem comum e a sua conseqüente identidade e cosmo-visom compartida nom devem converter-se simplesmente em um objeto de procuras intelectuais sobre o passado, nem em matéria de uma erudiçom e de um conhecimento a metade do caminho entre o acadêmico e o romântico. Pola contra haverá de ser o pilar básico e o mito movilizador para construir a grande Europa do futuro imediato. O século XXI é o do combate identitario, superada a fase dos Estados-naçom e dos blocos nascidos da segunda pós-guerra, contemplamos como o planeta organiza-se em torno a grandes espaços determinados por umha identidade comum. O destino põe aos europeus ante umha disjuntiva: ou sabemos interpretar o nosso momento histórico e somos capasses de criar umha Europa que por umha banda desenrole as capacidades prometeicas da nossa civilizaçom e por outra banda seja capaz de ler na sua mais longa memória para edificar-se sobre a sua herança milenar; ou a vindeira será a derradeira geraçom de europeus antes de serem fagocitados polos dous nemigos que ameaçam a liberdade do nosso continente- naçom ; o mundialismo uniformizador e igualitarista com capital em Nova Iorque e o islamismo que ao igual que fai com as suas mulheres, cobrirá o nosso passado com um veio de intolerância e obscuridade profundamente alheia à alma européia.

 Em NÓS, está a decisom.                        



[1] Historia de España, vol. II. Colonizadores y formación de los pueblos prerromanos 1200-218 a.C.

Ed. Gredos, Madrid 1989.

EL ARTE DEL BIEN VIVIR

EL ARTE DEL BIEN VIVIR

Aproximación a la obra de Antonio Medrano

 La importante labor y misión que está llevando a cabo el agudo y prestigioso intelectual Antonio Medrano, a través de la Editorial YataY, merece ser comentada y destacada en estas páginas dedicadas a los libros, que son un espacio de libertad y opinión dentro del asfixiante y farisaico mundo cultural e intelectual en el que vivimos. He titulado esta sección como  El Arte del Bien Vivir” (parafraseando al aragonés Baltasar Gracián) y no como el arte del “vivir bien” o el “buen vivir”,  ya que esta sociedad hedonista se encarga suficientemente de atiborrarnos con su ficticia “calidad de vida”. De los libros que vamos ha tratar- ora crítica, ora elogio- tienen una regla general o máxima por la que se dictan: es el servicio al Bien, a la Belleza y a la Verdad.Esta regla, como si se tratase de la de una orden monástica o de caballería, es una constante en sus textos, tratando así de hacernos comprender numerosas actitudes que debemos de transmutar, superar y rectificar en nuestro vivir diario. Es un golpe de atención a nuestra conciencia en todo momento, para así dejarnos guiar por ese “bien vivir”, acorde con la Tradición y con nuestra Sangre. Son “orientaciones” -más que nunca indispensables- para eso que Julius Evola denominó como la “revolución interior”, necesaria para el resurgir del Hombre Nuevo que precisa esta Europa “nossa-nuestra-nostra”, sometida a la política neoliberal y al mestizaje.     

                  Antonio Medrano, nacido en tierras extremas y duras, (Badajoz, 1946), residiendo actualmente cerca de Madrid junto a su esposa, es un autor que se va haciendo hueco en la escena intelectual de este país. Paradójicamente es un autor más conocido en otros países de Europa (Italia o Francia, son ejemplo de ello, con varias de sus obras traducidas) que en él nuestro propio. Enraizado en su patria, es una persona con vocación europeísta y universal. En determinados círculos de orientación tradicional es un autor venerado, considerado y respetado.                  Trabajó como asesor y directivo de empresas. Su sólida formación como profesional y su don de lenguas (lee, escribe y habla varios idiomas: alemán, sueco, italiano, francés, inglés, catalán, gallego-portugués...) le dan un carácter particular a sus obras, que son de una cultura vastísima. Solamente hay que observar la abundante bibliografía empleada en sus textos. 

                Riguroso en su trabajo, meditativo y reflexivo en su escritura, hombre de gran humanidad,  de carácter afable y buen corazón, con su quehacer  cotidiano y su “arte del justo, correcto y bien vivir”, da ejemplo y testimonio de lo que se conoce por Tradición. En otros tiempos de Occidente sería sin duda un discípulo de Platón en su Academia de Atenas, o un  “maestro” que escribe y transmite Conocimiento en las piedras de una catedral, o también si me apuras, un perfecto hombre del Renacimiento, recogiendo textos de los clásicos e investigando con la Alquimia.

                 Varios son los libros que están ya disponibles:  “Magia y Misterio del Liderazgo”, “La Lucha con el Dragón”, “La Vía de la Acción”, “Sabiduría Activa”, “La Luz del Tao”. Otros  están en preparación e irán viendo la luz poco a poco, con temática no menos interesante, como muestra estos ejemplos; Sobre el Honor, su profundo significado, su enorme valía y la falta de Honor en los tiempos de hoy; Sobre ecología y espíritu, la vital relación del Hombre con  la Naturaleza bien entendida y necesaria; Sobre la vivencia del momento presente “en el aquí y ahora”, sin apegos ni rechazos, valorando instante tras instante conscientemente; Sobre la milicia del Grial, el estar presto a servir a la Comunidad para servirnos también a nosotros mismos, ya que saber obedecer es tan necesario como saber ordenar; Sobre la acción heroica, ser capaces de armarnos del valor necesario para actuar noblemente y desinteresadamente.            

         La lectura de estos libros a través de las sendas de la antropología, de la historia, de la mitología y del simbolismo, inducen constantemente a sembrar las virtudes sociales más eficaces, que no sirven para nada desde el punto de vista espiritual, sino fructifican y crecen en nosotros el espíritu de devoción y el sentimiento de lo sagrado.  Pero vayamos a lo que ya está actualmente a disposición del lector, que son los siguientes textos: “Magia y Misterio del Liderazgo”: Una buena guía para el arte de Vivir en un mundo en Crisis, nos dice su subtítulo. Este texto puede ser considerado como un libro de consulta permanente, ya que la temática que aborda implica muchas facetas de nuestra interrrelaciones cotidianas en este mundo. Afrenta los problemas directa y frontalmente, sin vericuetos ni laberintos. Los capítulos que componen este libro son de gran utilidad en nuestras interrelaciones cotidianas, puesto que también somos seres sociales. La interdependencia entre los seres vivientes y el saber vivir es el eje central de esta obra, que hasta cierto punto podría ser considerada como un tratado psicológico de carácter tradicional. En Oriente, especialmente dentro de las doctrinas hindúes y más concretamente dentro del Budismo original existen unos  tratados compilados bajo el nombre del  Abbidharma,  de obligatorio estudio y necesaria su comprensión y asimilación  para el renacer espiritual. Del libro que estamos hablando, podría perfectamente situarse en esta línea, pero aplicado al Hombre europeo. Estudiarse a uno mismo es estudiar a los demás, y los capítulos de este libro nos invitan constantemente a estudiarnos, a dejarnos guiar por la nobleza y la dignidad, a saber dirigir nuestra vida, para saber vivir correctamente como líder. El saber vivir es una puerta a la felicidad de la persona. Responsabilidad, Gratitud, Flexibilidad, Valentía, Formación, Sentido del Humor, Autodominio, Saber hablar, Saber escuchar, Saber pensar, Saber hacer, Placer y Deber, Servicio, y así hasta un total de 31 capítulos que tienen las 417 páginas de este manual,  que nos invitan a vivir según las coordenadas de la objetividad y la veracidad.    Al final de cada capítulo con las claves y reflexiones del autor, tenemos abundantes citas de importantes personalidades de todos los tiempos, hálitos de sabiduría que nos han legado buena y generosamente. Entre estos están Raimon Llul, Calderón de la Barca, Baltasar Gracián, F. de Quevedo Platón, Séneca, Cicerón, Aristóteles, Plutarco, Marco Aurelio, Ramana Maharsi, Buddha Sakyamuni, Taisen Deshimaru, Hölderlin, Novalis, J.W.Goethe, F. Schiller, F. Nieztsche, A. Schopenhauer, René Guènon, Julius Evola, Codreanu, Edgar Dacqué, Charles Maurras, G.K. Chesterton,  Ananada K. Coomarasway, Frithjof Schuon, Thomas Merton, etc.      Un buen médico nunca prescinde de su “Vademécum” y un buen dirigente, bien sea político, social o empresarial, no debería perderse ningún capítulo de este libro. Desde luego que la lectura es importante, pero más aun es la práctica y la asimilación de estos principios.            

     “La Lucha con el Dragón”: Mitos, símbolos y leyendas de carácter universal del hombre en combate con la oscuridad y las tinieblas son tratados en esta magnífica obra, que podría ser considerada como una enciclopedia, puesto que hasta el momento no se ha escrito nada similar que reúna tanta información al respecto.  La tiranía del ego y la gesta heroica interior es el subtítulo de este libro. Ello  nos indica el significado antropológico, espiritual e interior de dicho combate, lucha y consecución de la gran victoria. Dentro de cada uno de nosotros hay una fuerza oscura, negativa, egoísta que nos mantiene en el reino de la ilusión y de la ignorancia. Para evitar seguir viviendo en estos “mundos”, es preciso ser conscientes de ello, pero no basta con querer superarlo. Hay que realizarlo, y en este libro podemos descifrar las claves a través de este mundo repleto de símbolos y mitos, con sus leyendas, cuentos y poemas épicos de nuestros antiguos.   Desde la India de los Vedas y héroes del Ramayana,  hasta el Thor nórdico y su lucha con la serpiente del Midgard y el Sigfried germánico y su combate con el dragón Fafnir; desde las alquímicas Aguas Mercuriales y su Obra al Negro y consecución de la Piedra Filosofal hasta San Jorge como patrón de la caballería cristiana y Cristo como vencedor de las Tinieblas... las 431 páginas de este volumen nos invitan a adentrarnos dentro de estas fascinantes historias, con sus niveles de significación, notas comunes al mito e interpretaciones diversas del dragón como símbolo y monstruo del ego.  Me gustaría destacar algunos capítulos –cosa difícil- puesto que desde la primera a la última página, todo me parece interesante. Pero para los apasionados e interesados de civilizaciones indoeuropeas, existe una abundancia de  referencias a nuestros antiguos mitos, entre ellos los siguientes: “El mito de la dracomáquia entre las antiguas estirpes europeas” no tiene desperdicio. Dividido en siete subcapítulos, donde  griegos, germanos, celtas, eslavos, bálticos y tracios son investigados por el autor en relación con el tema principal del libro. La lucha del héroe solar frente a la bestia es réplica frecuente en la antigua religión de nuestros ancestros y que se reproducirá de forma análoga dentro de la tradición cristiana europea, -(dentro de “El dragón en la tradición cristiana”) - con figuras igualmente arquetípicas como San Jorge, Santiago, San Miguel o el propio Cristo (ya helenizado). La abundante poesía épica medieval europea y libros de caballerías tendrán en común de nuevo este combate entre el espíritu y la materia. Los alegóricos mundos interiores de los cuentos de hadas también tienen su cabida e interpretación. Los “Niveles de significación” son fundamentales para la correcta comprensión de la obra, que se complementan con “El dragón como símbolo del ego”, “El monstruo del ego”, “Similitud entre el ego y el dragón”, así como “El combate entre el alma y el espíritu”. A lo largo de estos capítulos, el autor analiza las potencialidades del opositor al héroe y las potencialidades del héroe son tratadas en la necesaria regeneración  y victoria de la Luz en los siguientes capítulos: ”La gran victoria”, “La conquista del tesoro y la liberación de la Princesa” y “Las bodas sagradas: el retorno de la primavera”. Dentro de estas potencialidades del héroe hay una serie de prácticas que debemos leer, descubrir y descifrar entre líneas para reconducir y articular nuestra vida, unas orientaciones vitales para la  singladura que cada uno emprende. Y todo ello con aportaciones de los Maestros, tanto de Occidente como de Oriente, luz y guía para el ser humano que busca la liberación de la oscuridad y la ignorancia, que anhela el calor y la luz del Sol, de la Sabiduría, del Conocimiento, del Grial.  

     “La Vía de la Acción”:  Nuestra vida es acción. Vivir consiste en realizar cosas, bien sean materiales o inmateriales, de forma libre o necesaria. La vida exige acción y la acción sostiene la vida, nos recuerda el autor en el prólogo. La idea central de este libro consiste en hacernos recapacitar sobre cómo y porqué realizar de una forma determinada las acciones diversas que a diario ejercemos en nuestra vida cotidiana. Y el hombre superior, el hombre nuevo y antiguo al mismo tiempo, debe comportarse y actuar justa y correctamente, viviendo conscientemente el momento y la acción presente, teniendo presente causa y efecto, sin apegos y por amor a la acción misma, siempre con idea de servicio y entrega. Este libro da en el quid de la cuestión y nos conduce y orienta a ojos de la Filosofía Perenne de cómo saber vivir y realizar  El hacer justo y correcto frente al desorden activista, tal como se subtitula el libro. En tres grandes partes estas 333 páginas está dividido el libro: La importancia de la acción para la vida humana, El activismo: sus peligros y nefastas consecuencias y La Recta Acción: su naturaleza y su necesidad  para el hombre de hoy. Superando la pereza física, intelectual y mental a la cual invita el denso mundo de hoy, el autor no muestra a ojos de la Tradición la importancia de las acciones realizadas de forma centrada, bien sean acciones con la palabra, acciones con la mente o acciones de obra. Y Aristóteles, Platón, Cicerón, Karl Von Eckarthausen, Santo Tomás de Aquino o Lao-Tsê, por citar sólo unos pocos, nos recuerdan que el fin de la recta acción es la conquista de la felicidad, el amanecer hacia el mediodía. La paz, la no-violencia (el ahimsa indoario), la armonía son los efectos beneficiosos y sanadores de estas obras, palabras y pensamientos correctos.   En la segunda parte, el autor nos  expone el activismo sin sentido y superficial, como concepción errónea de la acción. El empobrecimiento al que nos conduce la intolerancia, bien sea religiosa (consecuencia de un alejamiento de la doctrina y de la contemplación), bien sea intelectual (todos los “ismos” propios de este ciclo como el racionalismo, el materialismo, el consumismo, el racismo,el hibridismo, el economicismo... efecto de una fe ciega y creación de “falsos ídolos”).  Este alejamiento de la Edad Dorada, es analizado a través de la doctrina védica de las tres gunas, para comprender la tendencia del hombre actual en su afán por el dinero, su culto y su tiranía. La excesiva politización de la vida (invasión de la política) y los partidismos exacerbados (democracias y totalitarismos), la crisis de la juventud o la inversión en el orden de valores, son igualmente tratados por el autor, apoyándose en autores destacados como Julius Evola, Vicente Risco o Werner Sombart  para demostrar la reduccionista, fragmentaria, parcial  y  subjetivista visión del hombre contemporáneo.  El autor hace una crítica de algunas ideologías modernas, como el nacionalsocialismo y el comunismo. En la primera crítica, creo que es acertada en su aspecto excesivamente biológico,  pero no en el resto, a mi modesto entender. No puedo compartir una crítica (con abundantes citas bibliográficas, por supuesto y no mera “propaganda de guerra” como otros mediocres intelectuales) a la voluntad que preconizaban algunos ideólogos puesto  que los avatares circunstanciales hacían necesaria la reconstrucción de un nuevo Imperium (en unas circunstancias histórico-sociales más que difíciles) a marchas forzadas contra elementos hostiles, tanto dentro como fuera del país. Ahora no podemos extendernos en esto, eso sí, se echa un poco en falta una crítica con mayor ecuanimidad (y mayor dureza para el materialismo marxista y al capitalismo pseudo- democrático), puesto que el nacionalsocialismo fue un movimiento de restauración de valores tradicionales y espirituales frente a estas doctrinas y sistemas, en coordenadas anti-tradicionales, anti-espirituales y fomentadoras del culto al dinero y del hibridismo.  La tercera parte nos invita a recuperar el sentido de la acción, que es conforme a la naturaleza humana y al orden divino y rector del Cosmos, para lograr el desarrollo emocional, mental, psíquico y corporal del ser humano, que es la auténtica revolución que hay que llevar a cabo. Los cinco elementos de la buena acción (Subordinación a la Verdad; desapego y liberación del egocentrismo; sentido de servicio y vivencia de lo sagrado; concentración en el presente; voluntad de unidad y totalidad) son detalladamente descritos para tomar por las riendas nuestra vida y con paciencia y perseverancia aguardar al maestro u hombre interior que habita y mora en cada uno de nosotros.            

“Sabiduría Activa”: Forma parte la segunda parte de esta colección en torno a la acción.             La acción humana como expresión de la luz y la verdad es el subtítulo de libro de 285 páginas. El actuar con una previa reflexión y contemplación  es la acción inteligente de acuerdo con el Logos y la sumisión a la Verdad como guía de conducta, el ser luz y hombres solares sobre la base del Conocimiento (co-nacer) alejándonos del dogmatismo subjetivista, la armonía de la teoría y práctica, el obrar de forma lógica y racional, la prudencia como arte de la conducta (el justo medio), el evitar las palabras vanas (donde actúan frecuentemente la mentira y el error), la irracionalidad en la acción, la sabiduría como base y meta de la acción y la unidad del Ser, el Conocer y el Hacer, son las nueve partes o capítulos en los que se divide el libro.  El mirar desapasionado, el cultivo de uno mismo, el actuar despiertos y estar atentos y con la alerta puesta ante los agentes internos y externos de la mentira...  son algunas de las claves que el autor nos ofrece siempre- y como norma a la luz de la Tradición – para aplicar en nuestra vida y discretamente encontrar el Centro áureo o Justo Medio que nos ofrece solidez y estabilidad.  La meditación  y el silencio interior  (tal y como la entendían y practicaban los antiguos) es una de las diferentes posibilidades prácticas, pues cura la inquietud y frena el activismo mental al que estamos sometidos en la actual civilización de la mentira, tal y como nos lo explica el autor. El meditar como forma de corregirnos y  de autodominio, es más que una simple terapia que nos facilita el autoafianzarnos y transformarnos, en vez de ahogarnos y diluirnos en el mundo que nos rodea. Para aquellos hombres modernos, que quieran y se esfuercen por realizar la verdad en su ser a través de la virtud, para estos hombres que buscan el reencuentro con la Sabiduría intemporal y de origen no-humano, este libro le dará una alternativa y una respuesta inteligente a la crisis que padecemos, para así recuperar esa acción sabia, prudente e integradora.     

   “La Luz del Tao” Junto a un clásico espiritual como es el Tao-Te-King, del maestro Lao-Tsê, el autor nos invita a conocer y adentrarnos dentro de esta interesante tradición extremo-oriental, que analiza y nos revela el mensaje espiritual de esta filosofía sapiencial de hace 2.500 años. A mí personalmente, dentro de los antiguos libros sagrados de la Humanidad, los que más me gustan – que por razones de espacio no voy a enumerar- son el Bhagavad-Gita,  las Eddas y el Tao-Te-King. El mensaje siempre es actual, la sabiduría es actual y las razones para cumplir con nuestra realización del Ser son actuales. Y es que esta obra de la Filosofía Perenne nunca será caduca.

Los orígenes de esta doctrina y concepción de vida, su relación con la Naturaleza y su visión sagrada del Universo, la búsqueda de realización como hombre armónico y auténtico, su filosofía más allá del bien y del mal, son algunos de los 23 capítulos que componen esta obra, que invitamos a leerla con detenimiento, debido a la cantidad de conceptos nuevos que encontraremos a lo largo de la obra, siempre y cuando no se esté familiarizado con dicha tradición.

 

 No solamente acaba aquí la labor del autor, también se prolonga a través de traducciones: Ha traducido un libro de un romántico portugués llamado Teodoro de Almeida, que se ha publicado bajo el nombre de “El Hombre Feliz”, una novela filosófica con un cruzado como protagonista. “El Espíritu de oración”  del místico anglicano William Law, es otra traducción que ha realizado y ha sido publicada en la Ed. YataY,  dentro de la colección de espiritualidad cristiana junto a otras traducciones y reediciones de místicos como E. Swedemborg, Meister Eckhart, San Bernardo, Fray Diego de Estella...   “Conócete a ti mismo” de Valentín Weigel es otra interesante novedad dentro de la colección,  bellas reflexiones de este místico sajón del siglo XVI  cuya traducción, notas e introducción ha llevado a cabo espléndidamente Eduardo Arroyo. 

          Dentro de esta labor de traducción, esperamos que algún día vea la luz una obra póstuma del genial artista Richard Wagner, “Arte y Religión” (Kunst und Religion), pues ya  hace tiempo que realizó  Antonio Medrano dicha traducción. 

Desde estas páginas os invitamos al Conocimiento, tal y como nos lo enseñaron  y legaron los maestros de Occidente y Oriente. Que sean provechosas y fructíferas vuestras lecturas y que sus prácticas os conduzcan al “bien vivir”.

Federico Traspedra

LA MEMORIA OLVIDADA DE UN PUEBLO: El Reino de Gallaecia

LA MEMORIA OLVIDADA DE UN PUEBLO:  El Reino de Gallaecia

  Irmáns no amor à Suevia

de lexendaria historia,¡en pé!

¡en pé dispostosa non morrer sin loita!

¡Xá está ò vento a bandeira azul e branca¡¡

A oliva nunca man, a fouce noutra,berremos alto e forte:

A Nosa Terra é Nosa¡ 

Ramón Cabanillas  

Para Helena, froito de nova seiva 

En el nº1 de esta publicación TIERRA Y PUEBLO, con su tema central “Ancha es Castilla”, la cual leí con agrado y atención, pude comprobar ciertas aseveraciones de nuestra historia medieval poco veraces en torno a la interpretación y formación del reino”astur-leonés”, y más concretamente en el artículo “León frente a la Historia”.

 

Las corrientes historiográficas de signo marcadamente “castellanista”, fenecen por si solas cuando el investigador o aficionado a la Historia consulta las fuentes de la época, fuentes tanto cristianas peninsulares como europeas así como las árabes. Si interpretamos la historia medieval de España en base a los textos de Menéndez Pidal, pues bien, a grandes rasgos nos quedaremos con la idea de que - la búsqueda de espacio vital o expansión natural de los reinos cristianos peninsulares- gracias exclusivamente a Castilla, se ha confeccionado la idea la Reconquista y de España, retomada de la época de los reyes visigodos. Y esta aseveración-interpretación “castellanista” es completamente errónea, que es la que hemos estudiado en el colegio durante la “transición” del régimen de Franco al actual.

 Ahora no sé la historia que se estudia en las escuelas, supongo- más mal que bien- que será la visión “progre”de Javier Tussel y aláteres, pero bueno, por lo menos ahí está Pío Moa y otros para rebatir esos falsos mitos sobre la guerra civil de 1936. El día que aparezcan más historiadores ayudando a demoler falsos mitos como, por ejemplo “la España de las 3 culturas” y que ello no sea tabú o dogma, será el síntoma de que realmente gozamos de buena memoria y por lo tanto de salud democrática real, no demagógica.

Pero vayamos a lo nuestro. Desde lo que ahora algunos políticos y sociólogos  (mal)denominan la “periferia”, argumentemos pues contra ciertas interpretaciones.

 GALLAECIA COMO PROVINCIA ROMANA Y REINO SUEVO 

Los ejércitos romanos en su última fase de dominación de Hispania, acometen durante 50 años la conquista del noroeste peninsular, habitados por diversas tribus célticas; vacceos, gallici, astures, cantabros, vettones, etc. Y a ese nuevo y extenso territorio que se incorpora como provincia al Imperio  lo denominan GALLAECIA. Y esta Gallaecia romana incluía lo que hoy es la actual Galicia, Asturias, Norte de Portugal, Cantabria, las amplias Tierras de Campos (denominadas antiguamente como Campos Góticos, “Campus Gallaeciae”, según el clérigo e historiador de época sueva Hidacio) y llegaría hasta Numancia (Soria)  y Coca (Segovia).

 

Para algunos este extenso territorio, Gallaecia, no era una unidad étnica, -cosa que se puede poner en duda-, puesto que la cultura de los Castros (Castrexa) no solo es propia de Galicia, oeste asturiano y norte de Portugal,  sino que también encontramos castros (lo que los historiadores denominan cultura celtibérica de las Cogotas) en Ávila, Zamora, Salamanca, y el tótem céltico de todas estas tribus, el Jabalí -Verrrôes, Verracos- así como símbolos (triskeles, rosaceas, esvásticas…) son más que frecuentes en todo el noroeste peninsular. Ahora no nos extenderemos más sobre si era o no una unidad étnica el noroeste peninsular a la llegada de los romanos, lo cierto es que ellos dieron a  la Gallaecia una función política y administrativa como provincia del Imperium.

 

Sabido es por todos que los “bárbaros” presionan ante las fronteras del Imperio Romano y toman posesión de diversas provincias. Aquí empieza nuestra Edad Media, desconocida, apasionante y mal denominada “época oscura, tenebrosa” etc.

 

Alanos, Vándalos, Suevos entran en la península celtibérica y se reparten dominios. En nuestro caso particular del cual estamos tratando, los suevos (en una estimación de unos 30-40.000 hombres y mujeres) ocupan  esa extensa provincia romana de la Gallaecia que les fue asignada  por el emperador Honorio en el año 411como un “foedus y toman como capital a Brácara Augusta, Braga (Norte de Portugal).

Estos germanos de religión arriana afianzan una aristocracia rural y crean el primer reino cristiano de la península y posiblemente del Imperio romano de Occidente. GALLICIENSE REGNUM  es su denominación según las crónicas de la época y el blasón del reino será ese animal de transfiguración -mitad águila, mitad león- el Grifo. Insisto, pues esto es crucial, el reino suevo-galaico es el primero y que tendrá una serie de reyes –que acuñarán moneda, organizarán el territorio en parroquias, levantarán castillos y monasterios, será el germen de una aristocracia rural –Fidalguia- etc.- que a lo largo de unos 175 años permanecerán independientes y buscando alianzas con Bizancio frente al poder  visigodo, que solamente dominó toda la península de Hispania por tan solo 80 años.

 

El primer rey suevo es Hermerico (409-438), que fue quien estableció un “foedus” con el emperador romano Honorio. Su hijo Requila (438-448), expandió el reino galaico-suevo aprovechando la flaqueza romana, extendiendose hasta Cantabria y la provincia romana de Lusitania. En el año 449 el rey Requiario (449-455) es el primer rey europeo cristiano en acuñar moneda propia y decidió la conversión de los suevos del arrianismo al catolicismo, religión “oficial” de los galaicos, si bien aun pervivían cultos paganos célticos entrelazados con los cristianos, de fuerte implantación priscilianista.

Cerca de Astorga, en 456, se perpetró la batalla del río Órbigo, entre tropas galaico-suevas y tropas romano-visigodas, estás últimas en apoyo a la traición de la aristocracia romana de Gallaecia, la cual había perdido privilegios.  

 

El rey Maldras(456-458) controló a la aristocracia traidora y varios conspiradores fueron ejecutados en Lugo en el año 460. Su sucesor, el rey Remismundo firma una paz duradera con los visigodos a cambio de que los galaico-suevos volviesen al arrianismo.

La vuelta al catolicismo se produce con el reinado del rey Carriarico, quien funda cerca de Braga el monasterio de Dumio (centro cultural y espiritual del reino), allá por el año 550 y es durante el reinado del rey Teodomiro(559-570) cuando alcanza su mayor esplendor cultural el reino. En el año 561 se reúne el 1Concilio bracarense del cual  el rey toma consejo. Es ya claramente establecida la paridad Autoridad espiritual-Poder temporal. Es durante el reinado de Teodomiro cuando se redacta el Parrochiale Suevum, donde se conforma a grandes rasgos la estructura administrativa y tradicional del país, que es la parroquia.

 

El rey Miro sigue los pasos de su padre Teodomiro, y de este rey es e destacar su personalidad estoica y sensible para con la cultura y el cultivo de las artes y virtudes.

El 2º Concilio bracarense (572) arremete contra los visigodos arrianos y el príncipe visigodo católico Hermenegildo pide ayuda al rey galaico-suevo. Leovigildo, rey visigodo arriano, padre de Hermenegildo derrota en la batalla de Sevilla (583) al rey galaico-suevo, que muere en la retirada a su reino. Entonces aparece le problema sucesorio entre Eurico (583-584) y Andeca. El rey visigodo Leovigildo, bajo pretexto de ayudar al primero, ocupa el reino galaico-suevo ante las facciones enfrentadas.

Termina así la sucesión de reyes galaico-suevos.

 

 Entre el año 578 y el 711, Galiza (o Gallaecia), forma parte como provincia del reino visigodo. La Gallaecia galaico-sueva mantuvo una entidad política después de hacerse los visigodos con este reino. Al realizarse un Concilio en Toledo en el 585, se invita a todos los obispos  de “totius Hispaniae, Gallie et Gallecie” .Aquí inequívocamente Gallaecia es distinguida de otras entidades políticas como Hispania y Galia.

 

  GALLAECIA COMO REINO CRISTIANO DURANTE LA RECONQUISTA 

Después de la invasión islámica en el 711, los árabes dominan  casi toda la península a excepción de toda la franja norte que va desde el Atlántico, Cantábrico hasta los Pirineos occidentales, así pues las tierras gallegas, asturianas, cántabras, navarro-vascas, permanecen libres del dominio musulmán, eso sí durante años pagando fuertes tributos al Califato cordobés[1].

El linaje del primer rey, Don Pelayo (718-737), es de sangre visigoda-astur  (de la Gallaecia asturicense), casado con la hija del dux de Cantabria, su linaje  - Fávila (737-739)-será de sangre astur- cantabra. Se suceden Alfonso I (739-757) que retoma la habitada Lugo, Froilán (757-768), Aurelio(768-774), Silo (774-783), Mauregato(783-789) y Vermudo I (789-791).La base del reino como entidad política y administrativa será en base a lo que ya existía en aquellas tierras del noroeste que nunca fueron dominadas al completo por los islamitas y que nunca dejó de funcionar del período “suevo-galaico”, y no exclusivamente “visigodo” como comúnmente se nos ha hecho creer:

1º¿Cómo es posible pensar que la estructura organizativa de una nueva monarquía, un nuevo estado, se le pretende ligar a la monarquía que se desvanece en Toledo y que resurge en Oviedo, cuando por otra parte, los componentes étnico,político,religioso del Galliciense Regnum todavía pervivían en esa Gallaecia asturicense, lucense y bracarense?

 2º¿Acaso no es de nuevo la primera gran expansión de este nuevo reino “astur-leonés” (por llamarlo de alguna manera) hacia esos antiguos conventos administrativos, mientras que los reinos de Navarra, Aragón-Cataluña todavía se hallaban confinados en los Pirineos?

3º¿Acaso no era necesaria la separación eclesiástica de la Iglesia Mozárabe de Toledo (situada bajo poder islámico), justificada por el “descubrimiento” del Arca Marmórea con los restos del Apóstol Santiago y por consiguiente, la enorme relevancia de Compostela como nuevo centro religioso para los cristianos tanto de la Hispania cristiana como de la islámica, así como para Europa?

 

Los reyes de la Gallaecia sabían que necesitaban en su tierra una Autoridad espiritual independiente de Toledo para complementar su Poder temporal y así afianzarse, de ahí que surja Santiago de Compostela. Como dijo Goethe, Europa se forjó peregrinando a Compostela.

 

La capital altomedieval de los reyes de la Gallaecia fue cambiante. Oviedo, Santiago de Compostela, León. Sus restos descansan en la catedral de Oviedo, en la de Santiago, en San Isidoro, etc.

Prosigamos: En el año 813 Alfonso II (791-842) consolida esta joven monarquía y es el año del descubrimiento del sepulcro del Apóstol Santiago. Influido por Carlomagno, con esta maniobra política el reino empieza a tomar forma con sede de la corte en Oviedo y Compostela como centro espiritual (y no Covadonga). Alfonso II le otorga al obispo de Lugo la sede bracarense, siendo conquistada Coimbra en el 878 por el conde gallego Hermenegildo Guterres.

Ramiro I (842-850), constructor de bellezas arquitectónicas prerrománicas (iglesias-palacetes) en Asturias, fue aupado al poder por los condes gallegos, recelosos del poder de los nobles cántabros y satures. Con probabilidad fue nombrado rey en Lugo poco antes de morir su pariente Alfonso II.

El propio Sánchez Albornoz reconoce que en esta época, a los reyes de Oviedo en la España ocupada por el Islam y allende Pirineos, se les acostumbraba a llamar reyes de Galicia. Autores hispano-musulmanes como Ibn Al-Qutiya, IbnAl-Atir, Al-Maqqari llamaron Galicia a todo el noroeste peninsular, incluyendo en Galicia las ciudades de León y Astorga, así como Asturias y la sierra de Covadonga.

Ordoño II (850-866), consolida fuertemente las ciudades de Tui, Lugo, Compostela y León y es durante su reinado cuando comienzan los primeros ataques de los normandos en las costas galaicas, tanto atlánticas como cantábricas.

Con Alfonso III (866-910) los límites del reino son prácticamente los del reino galaico-suevo, desde Cantabria hasta Lisboa.  Alfonso III es denominado como “Adefonso Regi Galleciarum” con motivo de la consagración de la catedral de Santiago mientras que la historiografía castellanista nos lo presenta como rey astur-leonés, mientras que para el papa de Roma lo denomina como Rex Galletiae. Su hijo Ordoño II (910-924) instala la corte en León, alejándose del poder de la iglesia compostelana. Se suceden los breves reinados de Froilán II (924-925), Sancho ordoñez (925-929), Alfonso IV (929-930), Ramiro II (930-950) y Ordoño III (950-955). Sancho I (955-967) tropieza con la conspiración del conde Fernán González y su hijo Ramiro III sufrió los ataques de los normandos y apenas reinó puesto que no se le reconoció su autoridad. En el 982 los gallegos proclamaron rey a Vermudo II en León y este reinado tuvo las incursiones de castigo del moro Al-Mansur (Almanzor), saqueando Coimbra, Astorga, León y Compostela. “Afírma-se Galiza no período que remata  en Almazor. Frente ò Sur musulmán e frente ò Norde normando…Os normandos fracasaron, non pudieron enraizar nin nos esteiros de Arousa nin de Tui porque atoparon, coma os árabes, un pobo dono do seu solar histórico[2]

Alfonso V restauró los burgos y relanzó su despegue para su conversión en ciudades, concediendo la Carta Foral a León en el año 1020. Muere el rey reconquistando la ciudad de Viseu y le sucederá su hijo Vermudo III el cual tuvo graves conflictos con el rey Sancho III de Navarra por anexionarse este tierras que van desde el Pisuerga hasta el Cea. Sancho III entró con los vascones en Lugo y tomó León, obligando al rey-emperador gallego a replegarse a la Galiza occidental. El conflicto se resolvió casando a la hermana del rey gallego con Fernando, hijo del rey navarro y concediéndoles Vermudo III el condado de Castilla. Así pues vemos que Castilla no nace precisamente como fruto de la rebelión del conde Fernán González, sino como reino amortiguador entre las dos potencias de Gallaecia y Navarra, (paradojas de la Historia). “Ego Sanctus rex, tenens culmen potestatis mee in Aragone et in Pampilonia et in Sobrarbi et Ribagorza et in Nagera et in Castella et in Alava; et comes Sancius Guillelmus in Gasconia, et Belengarius comes in Barcelona, et imperator dommus Vermudus in Gallaecia”.  Año1030. Así pues SanchoIII es rey, con potestad en Aragón, en Pamplona, en Ribagorza, en Castilla y Álava. Sancho Guillermo es conde de Gasconia y Berenguer conde en Barcelona y Vermudo III es Emperador de Galiza-Gallaecia. Pues bien, Menéndez Pidal, no dice que Vermudo III sea emperador de Galicia, sino que es de León, pero esta contradicción no tiene sentido puesto que “Civitate vocatur Legione, in Gallaecia” (la ciudad llamada León, en Gallaecia), ya que León era una ciudad gallega de aquellos tiempos, sede de la corte, pero no la capital económica ni administrativa, que era Compostela.

 

  Vermudo III igualmente morirá en la guerra contra su cuñado Fernando I (1º rey de Castilla). A partir de aquí se unen la corona del reino galaico (o astur-leonés según la historiografía castellanista) con la corona castellana, ya que Fernando I  estaba casado con Sancha, como ya hemos dicho anteriormente y aquí se da la paridad “tanto monta, monta tanto” . Sancha, como hermana de Vermudo III es la heredera del reino de Gallaecia, hija de Alfonso V y nieta del conde Mendo Gonzalvez. Fue criada en Betanzos, en Sta. María de Piadela y aquí la historiografía castellanista nos presentará a Fernando I como rey, mientras que en la realidad histórica del momento no fue así. Sancha fue de pleno derecho reina-emperatriz de la Gallaecia: “Fredernandus Legionensis rex pariter cum coniuge mea regina dna. Sancia et filiis meis vobis donno Cresconio episcopo” El carácter galaico del reino de Sancha se hizo visible en Compostela, relanzando su papel político, religioso y cultural. De esta época es la Escuela de Santiago donde se formará la élite galaica tanto política como religiosa. Cancilleres del reino como Obispos serán formados en Compostela y sus linajes son gallegos como Pelayo, obispo de León, Diego Xelmírez, obispo de Compostela y Pedro Suárez de Deza, obispo de Salamanca.

 

Muerto Fernando I se reparte el reino, tocando a su hijo García la Gallaecia occidental (Galiza-Norte de Portugal) en el año 1072. Su reinado fue breve y dramático ya que su hermano Alfonso VI le hizo morir en prisión cargado de cadenas para apoderarse del reino gallego-portugués. Su túmulo reza así: “Hic requiescit dominus Garcia Rex Portugallie et Gallecie…Hic ingenio captus a frate suo in vinculis obiit”  Fue para algunos nuestro último rey “independiente”, si bien la lengua de los reyes aún siguió siendo el gallego-portugués  ya que Alfonso VI (1072-1109) se lamentaba así a la muerte de su hijo: “Ay meu fillo! Ay meu fillo! ¡Alegria do meu coraçon e lume dos meus ollos, solaz de mia velheze! Ay meu espello, en que me soía ver, e con que tomaba gran prazer! Ay meu herdeiro mor! Cavaleiros, u me lo leixastes? Dade-me meu fillo, Condes!”La lengua culta de los reyes, bien con corte en León o Compostela, fue el antiguo gallego-portugués y no el bable o “astur-leonés” y una reflexión sobre esto. ¿No será el bable una variante oriental del arcaico galaico-portugués más que un dialecto del latín? Me inclino por lo primero, la extensión del gallego no se limita a la actual Galiza, sino que se expande por el otrora territorio y comarca del Bierzo, perteneciente a los antiguos condes de Monforte de Lemos, así como por la Asturias occidental, además de la Sanabria “zamorana”. Con razón dijo don Álvaro Cunqueiro que el Bierzo y Sanabria eran para los gallegos lo mismo que para los alemanes son Alsacia y Lorena.[3]

 

Alfonso VI reinó sobre ambos reinos y él se reservó el gobierno de León y castilla, mientras que la actual Galiza se la entregó a su hermana Urraca, casada con Raimundo de Borgoña y el condado de Portugal a su otra hija Teresa, casada con Enrique de Borgoña. Así pues a partir de este momento se diferencian tres pueblos, el gallego, el portugués y el castellano-leonés.

 

Culturalmente hablando Galiza vive su apogeo durante los reinados de Alfonso VII (solemnemente coronado rey de Galiza en la catedral compostelana en el 1111), Fernando II , Fernando III y Alfonso X el Sabio, escribiendo este último “Cantigas” en loor a la Virgen en lengua galaico-portuguesa.

 

Urraca queda viuda de Raimundo de Borgoña y su hijo Alfonso VII es proclamado rey en Compostela. Es la época gloriosa del arzobispo Diego Xelmírez, que tuvo el derecho a acuñar moneda propia, estableció grandes relaciones con los Francos y el apogeo de las peregrinaciones.  “Puro guerreiro e político, atoparía a forma do reino galego”[4] Su archidiócesis se extendía hasta Ávila, Lisboa, Évora, Guarda, Salamanca, Coria, Plasencia y Ciudad Rodrigo.

 

La aristocracia del condado de Portucale preocupada por el poder tanto del nuevo rey-Emperador Alfonso VII (1135) así como del poder compostelano, con el apoyo papal se independiza del reino galaico-leonés en 1139 tomando por rey a  Afonso Henriques.

Durante los reinados de Fernando II (1157-1188) y de su hijo Alfonso VIII[5] (1188-1230) los reyes titulados como de Galicia y León, Galiza florece culturalmente. Se construyen las catedrales de Mondoñedo, Tui, Lugo y Ourense. Ambos reyes mantuvieron su corte en León pero fueron enterrados en la catedral compostelana, en el Panteón Real (donde yacen también Raimundo de Borgoña, la reina Berenguela (esposa de Alfonso VII el Emperador), el importante conde de Traba y la reina Xoana de Castro -mujer de Pedro I).

Se suceden Fernando III el Santo(1230-1252) y Alfonso X el Sabio (1252-1284) y el centro de gravedad político se va desplazando hacia el centro de la península  a medida de que se recuperan ciudades y territorios a los musulmanes. Con ello el Norte, Galiza, León pierden su peso en detrimento de Toledo. El reino de Galiza reaparecerá por unos años más como entidad independiente después de Sancho IV (1284-1295), Fernando IV(1301-1312), Alfonso XI (1312-1350) y Pedro I (1350-1369). Pedro I favoreció a las ciudades frente al poder de la iglesia galaica y en 1366 la aristocracia de Castilla y los obispos gallegos se sublevan contra el rey. En Castilla propugnaban por Enrique de Trastámara y Pedro I no contaba con muchos adeptos en Galiza. Los nobles gallegos llamaron al rey Fernando I de Portugal para ocupar el trono del reino de Galiza, apoyado por insignes nobles gallegos como Fernando de Castro, Xoán Fernández de Andeiro (el conde de Andeiro, que hizo de embajador en Inglaterra para lograr apoyos a este proyecto de nación) y el todopoderoso conde Nuno Freire de Andrade.

 

Fernando I de Portugal tuvo gran recibimiento en A Coruña, Tui y corte en Lugo. En 1369 la casa de Trastámara hostigó al rey Fernando y este regresó a Portugal si bien A Coruña y Tui permanecieron bajo su jurisdicción hasta 1372-73.

La nobleza galaica no se dio por vencida y en 1386 desembarcó en A Coruña Xoán de Gante, duque de Lancaster (hijo del rey de Inglaterra y yerno de Pedro I) que fue coronado rey en Compostela. De nuevo las tropas de los Trastámaras vencieron y redujeron a la nobleza autóctona, a su vez que introdujeron aristocracia alóctona.

Por último, los nobles gallegos (Pero Älvarez Osorio, Henriquez de Castro, Sueiro Gómez de Soutomaior, Pardo de Cela y los Condes de Lemos) tomaron partido por Juana la Beltraneja en su disputa con Isabel la Católica, siendo estos represaliados por su equivocada opción dinástica. En 1483, en tierras de Mondoñedo fue ejecutado cortándole la cabeza a Pedro Pardo de Cela, último intento del reino de Galiza por conservar su realidad soberana.

A este noble se le  han dedicado muchas alabanzas por parte de intelectuales y poetas del Rexurdimento gallego, como símbolo de la auténtica “edad tenebrosa” que nació y surgió a partir de su decapitación, con la consiguiente Doma y Castración del Reino de Galiza tal como se le ha denominado.

 IDENTIDAD DE UNA TIERRA Y  PUEBLO 

 

Como colofón a este breve repaso por la historia medieval de un reino, dejar simplemente constancia del espíritu céltico-nórdico de la identidad gallega a través del Rexurdimento con poetas como  Eduardo Pondal, o con historiadores como Murguía; el paisaje y el alma con Rosalía de Castro, el pueblo campesino con Valentín Lamas Carvajal o la política con Alfredo Brañas y Antolín Faraldo.

La revolución conservadora gallega nació al calor de las lareiras de los pazos y casas de labranza y a sus reflexiones  en los bosques de robles, entre ríos, en los cruceiros, en los castros y dólmenes  con Otero Pedrayo, Vicente Risco, Ramón Cabanillas, Florentino López Cuevillas, Antón Losada Dieguez, Álvaro Cunqueiro, López Abente, entre muchos. La identidad y la recuperación de la memoria así como de la soberanía fueron objetivos de muchos gallegos a  lo largo del siglo XIX y del XX. Su visión identitaria galeguista y europeísta siempre ha estado presente en sus obras. Este también es un gran legado para vivirlo y del cual nunca olvidarnos: “Disfrutou Galiza desde o amencer dos tempos históricos dunha conciéncia orixinal. Esa conciencia pervive aínda hoxe. Ela inspirou os períodos vitais da Galiza. Os períodos calados, mortos, significan un recollemento, un silèncio da conciencia galega. O feito de que segui-se exisitindo à espera de mellores tempos non dubidaremos en explicá-lo pola feliz e total adaptación da raza à terra” [6]    FEDERICO TRASPEDRA (Janeiro 2004)    

              



[1]  “España en la Alta Edad Media”  Roger Collins. Ed. Crítica.  Barcelona. 1986
[2] R. Otero Pedrayo. “Ensaio histórico sobre a Cultura galega” Ed.Galaxia, Vigo1982, Pág.119
[3] Hacer referencia del gallego hablado en Extremadura, reducido a unos tres-cuatro pueblos, que descendientes de colonos gallegos de la época de a Reconquista todavía conservan lo que ellos llaman y denominan la “Fala”
[4] Op.cit. Otero Pedrayo, Pág.127
[5] “No podemos dejar de comentar que este Alfonso VIII fue arbitrariamente y malintencionadamente llamado Alfonso IX por la historiografía española, pues en su tiempo había otro Alfonso en Castilla” = Reino de Galiza, Anselmo López Carreira. Ed. A Nosa Terra, Vigo 1998, pág.42
[6] Op.cit. Ramón Otero Pedrayo

AFINIDADES DE DOS PUEBLOS ATLÁNTICOS: GALIZA-ÉIRE

AFINIDADES DE DOS PUEBLOS ATLÁNTICOS: GALIZA-ÉIRE

 

 

 

 "...sinus dehiscit incolis Oestrymnicus inquo insulae sese exerunt Oestrymnides, laxe yacentes et metallo divites stanni atque plumbi...ast hinc duobus in sacram, sic insulam dixere prisci, solibus cursus rati est. Haec inter undas multam caespitem iacet eamque  late gens Hiernorum colit.propinqua rursus insula Albionum patet."   Fragmento de la "Ora Marítima" de Rufo Festo Avieno.

 

"bajo la cumbre de este promontorio, se expande la ensenada que llaman los nativos Oestrimnida, en la que se muestran a lo largo las islas Oestrimnidas, ricas en metal de estaño y plomo...desde aquí para  llegar a esta isla en navío, el viaje es de dos días.  Acostada está la isla, llena de hierba, entre las olas del mar, habitado por el pueblo de los Hiernos. A su vez tiene cerca de si la isla de los Albiones"

 

 

Quizás sea esta la primera referencia escrita de las islas británicas, de Irlanda y Gran Bretaña, en referencia a los dos topónimos en su forma griega, Hierne (Irlanda) y Albión (Inglaterra), donde el romano Avieno nos describe el comercio de los tartesios con los oestrymnios (celtas galaicos), de los cuales tiene constancia que estos últimos navegan en barcos de cuero hacia el norte, hacia Irlanda, aprovechando las corrientes marítimas y llegando a  la verde isla en dos días.

 

 

Y es que Galiza limita al norte con Irlanda. Lógicamente, las afinidades, paralelismos y analogías en ambas culturas son obvias y  nos atreveríamos a decir que ello es debido a un origen y sustrato étnico común, a una ancestral tradición  espiritual pagano-cristiana  y  a una alma  mística de dos tierras y pueblos que miran hacia sus verdes interiores y hacia los azules atlánticos, como son Eire y  Galiza.     

 

 

                Paralelismos en el paisaje y  en el paisanaje

Comencemos pues señalando una afinidad geográfica como pueden ser las costas de ambos países, cosa sorprendente  si comparamos las siluetas de ambos límites geográficos y  observamos sus rías, bahías y cabos con detenimiento, como reparó el maestro Vicente Risco allá por  1921[1]. Y es que las rías galaicas son muy semejantes a las rías irlandesas, mientras que los " fiths" escoceses son más semejantes a los fiordos escandinavos. En Irlanda los cabos Malin y Fanad, los más septentrionales, corresponderían con el  extremo norte de nuestra península ibérica, que es el maravilloso cabo de Estaca de Bares  y el cabo Ortegal. Seguidamente  encontramos la bahía de Foyle que correspondería con la ría de Viveiro. La de Swilly correspondería con la de Ortigueira. Hacia el Oeste la costa irlandesa tiene la misma forma que la galaica hasta el cabo Teelin, que sería el cabo Prior y bahía de Donegal sería la análoga de la ría de Ferrol. Continuamos hasta la bahía de Killala que correspondería con la de Coruña y hasta el cabo irlandés de Achill, que sería el cabo gallego de Touriñan. El cabo Fisterra sería el cabo Llyne. La bahía de Galway correspondería con la ría de Arousa, la del Shannon con la de Pontevedra y la de Dingle con la majestuosa de Vigo, las islas Blasket con las islas Cíes y Tralee con Baiona. Estas son los paralelismos geográficos que nos relata un joven Risco. Una anécdota personal afirmó estas curiosas afirmaciones y es que hace unos 15 años,  una joven irlandesa, Graìnne, de visita por nuestra Costa da Morte, (que también es Costa de Vida), al llegar a Muxía y a Fisterra, se quedó sorprendida, encantada, maravillada por la similitud con su Tralee natal. Había descubierto la Irlanda del sur, Galiza, ambas tierras bravas, tierras húmedas y  fértiles, tierras atlánticas y graníticas.

 

 Coincidencias geográficas de dos tierras atlánticas, coincidencias de dos pueblos célticos que mirando al Atlántico vieron la sangría de la emigración de sus hijos surcando sus aguas atlánticas hacia las Américas, para paliar las precarias situaciones económicas de su pueblo trabajador, labradores y marineros sometidos a noblezas traidoras  y  a  leyes extranjeras, inglesas en un caso, castellanas en el otro... "Thousands are sailing"  cantaba el mítico conjunto musical irlandés The Pogues, a los hijos de Irlanda que se veían obligados a dejar atrás su amada tierra.

 

  El amargo calificativo de "wild irish", salvaje irlandés, sinónimo de  basto, bruto, tonto tenía ese significado para el anglo-sajón; "gallego", como  bruto, burro de carga, tonto, tuvo ese significado para las pérfidas clases dirigentes castellanas. Imaginamos que a estas alturas de la historia, quedarán bien pocos "imbéciles e escuros" como los calificaría nuestro bardo Eduardo Pondal que sigan pensando - en ambos casos y direcciones, por supuesto- en tales coordenadas, pues serían unos auténticos  dementes  y peligrosos inconscientes del futuro-presente de sus patrias carnales y de la vieja Europa. 

 

Irlanda y Galiza además de compartir  unas curiosas similitudes geográficas y  paisajísticas, también poseen afinidades de paisanaje. Y precisamente por esto y no por ningún otro avatar elucubrado por  los "rojiverdes", justamente por compartir  ese paisanaje, por poseer sustratos étnicos comunes, compartimos Tradición y religiosidad común, arqueología y antropología afines.

 

La antigua leyenda galaico-irlandesa, ¿confirmada por la genética?

Obligadamente tenemos que tomar por referencia una importante fuente medieval como es "El libro de las invasiones", en gaélico "Leabhar Ghabhala", donde se nos relata real y fantásticamente   la genealogía de las invasiones de Irlanda, que  se suceden a lo largo de su mítica historia.  La leyenda y la historia se entremezclan cual entrelazo propio del arte céltico. Fue escrito sobre el año 1.100 en el monasterio de Terriglass bajo la dirección del obispo de Kildare, Finn Mac Gorman y con el beneplácito del rey de Leinster, Dermot Mac Murrough.  Se suceden los míticos Partholon, Nemhed, los oscuros Fir-Bolg, los Tuatha de Danann y la expedición de los hijos de Mil desde España hasta Irlanda.[2] "Ro cumdacht cathair iaromh la Breogham isin Easpain, Brigantia a hainm y do ronadh tor lais ara hienehaibh, dia ngoirter Tor Breoghan": ("Después Breogán fundó una ciudad en España, llamada Brigantia y construyó una torre al lado, llamada la Torre de Breogán"). Breogham, mítico rey celta galaico, funda la ciudad de Brigantia[3] (Betanzos, castro situado en la confluencia de dos ríos, en honor a la diosa céltica Brigantia, de la cual se conservan representaciones escultóricas en nuestro antiguo arte europeo), y en ella erige una torre al lado del mar, entre otros usos como guía nocturna para navegantes. En un atardecer invernal, Ith, hijo de Breogham, sube a lo alto de la torre y en la lejanía del océano, le parece divisar una tierra desconocida. Pidió el consentimiento de su padre y la expedición se efectuó, pero antes su padre Breogham, aconsejó a su hijo que hiciese el viaje montado en su caballo a bordo de la embarcación, como augurio de regreso a su hogar después de conocer aquella misteriosa tierra, que no era otra que Irlanda. Ith junto con su hijo Lughaidh y demás compañeros de expedición arriba a las costas irlandesas y es muerto a manos de los Tuatha de Danann. Su padre en venganza envía otra expedición y allí con su ejército al mando de Mil. Arriban de nuevo los celtas galaicos, los hijos o tribu de Mil a  la isla de Hibernia. Pero antes  la tribu de Danann, los Tuatha de Danann (considerados dioses hiperbóreos blancos que habitan en sus moradas-palacios  bajo la tierra de la isla), con su magia encubren de niebla la isla, mientras que el druida galaico Aimirgin[4] invoca la tierra de Irlanda y a los elementos, logrando  vencer su magia. Entonces desembarcan  y los Tuatha de Danann son derrotados en la batalla de Sliabh Mis. La mujer de Mil,  Scota (de cuyo nombre procede Scotia, Escocia), es muerta en la batalla. Se suceden otras batallas hasta dominar por completo la isla. Esta invasión de los celtas galaicos a través del mar,  no sería expulsada de la isla por otro pueblo, siendo su presencia ininterrumpida en Irlanda hasta siglos posteriores con la llegada de los vikingos, escoceses e ingleses.

 

Hasta aquí hablamos de mito y leyenda recogida en la floreciente y esplendorosa edad media irlandesa. Si bien los historiadores anti-celtistas (ora marxistas , ora derechistas) creían que esto no era mas que un bonito cuento que a los viejos galleguistas y asturianistas les encantaba para justificar orígenes míticos e identitarios, las recientes investigaciones sobre genética están demostrando a todos y complementando, lo que a los ojos de los historiadores marxistas y su método sobre cultura económica y material que puede aportar para ellos  la arqueología, que los viejos mitos indoeuropeos y en este caso en particular galaico-irlandés, para su desgracia y para nuestro orgullo se verifican por otros canales de investigación.  

 

Los historiadores británicos siempre han creído que las islas británicas fueron invadidas en la Edad del Hierro por los celtas de la Europa central sobre el 500 a.C., pero los genetistas del Trinity College de Dublín ahora reivindican que escoceses e irlandeses tienen lo mismo, o sino más en común con la gente del noroeste de España que con otras zonas de Europa (Bélgica, norte de Francia) como hasta creían. El Dr. Daniel Bradley, profesor de genética en el Trinity College de Dublín, en un estudio sobre los orígenes de los irlandeses y escoceses publicados en el American Journal of Human Genetics, reveló grandes afinidades con las gentes de Galicia. Dicho estudio fue hecho usando muestras de ADN de la gente que vive en naciones celtas y otras partes de Europa, asegurando que escoceses e irlandeses deberían buscar sus ancestros en el NO de España.  

 

"El profesor del departamento de Antropología Biológica de la Universidad de Santiago de Compostela, X.L Blázquez Caeiro, que dirige un proyecto para establecer el mapa genético poblacional de los gallegos con el fin de reconstruir su historia evolutiva, considera "muy interesantes" las conclusiones a las que ha llegado su colega Bryan Sykes, aunque difiere de la interpretación de los datos realizados.

Por un  lado Caeiro asegura que la investigación del británico viene a corroborar la suya, en el sentido de que confirma que las poblaciones del Occidente de Europa (desde Bretaña a Galicia, Irlanda o Gran Bretaña) guardan base genética similar que han sabido mantener a lo largo de los años y que se corresponde con la herencia dejada por los primeros pobladores europeos"[5]   Esta reseña procedente de un extenso artículo la podíamos leer recientemente en la prensa, con el titular de "Los celtas que colonizaron Gran Bretaña procedían de Galicia". En este caso para un inglés, para el profesor  B. Sykes, sus investigaciones apuntan a que los ingleses comparten la  huella celta en la misma  medida que irlandeses y escoceses, algo que seguramente sorprenderá en Inglaterra, que siempre se ha visto como un pueblo sajón. El estudio en este caso se realizó tomando como base el análisis de 10.000 británicos, suponemos nosotros que de los de "siempre", no de los otros con "pasaporte Commomwealth". Pues bien, en dicho estudio resumido en su libro "Blood of the isles", apunta que hace 6.000 años estos habitantes del NO de la península desarrollaron embarcaciones capaces de cruzar el océano y  llegaron hasta las islas británicas. La huella genética más común de los británicos lleva la marca de aquellos celtas peninsulares y a continuación, lógicamente de las tribus escandinavas.

 

Celtófilos versus Celtófobos

Como conclusión, podemos ver que en este caso en concreto la genética está por validar  la  leyenda-mito de Ith como invasor de Irlanda y que esa corriente atlántica que en dos días condujo a los descendientes de Breogham desde Galiza a Irlanda relatada en la antigüedad, o la constancia de relaciones entre el NO peninsular y las islas británicas por el romano Rufo Festo Avieno, no son para nada viejas historias,  sino todo lo contrario. Poco a poco se dilucida y se aclara la etnogénesis de  los actuales habitantes que conformaban la antigua Gallaecia (galaicos lucenses y bracarenses, astures transmontani y asturicenses). Hasta hace bien poco, hablar de celtismo en Galiza era casi motivo de risa y sorna  para los historiadores "oficialistas".  De lo que algunos consideraban un "celtismo decimonónico" inaugurado por los gallegos Verea-Aguiar, Villamil o Manuel Murguía, pasando por un Florentino Cuevillas, Otero Pedrayo o un Vicente Risco o por los asturianistas Bernardo Acevedo y Huelves, Fermín Canella Secades o  un Juan Uria Ríu, se pasó a una "celtofobia o anticeltismo" predicado por F. Calo Lourido, Pereira Menaut, de la Peña Santos o C. Alonso del Real. [6]  La guerra civil española supuso un cambio de orientación ideológico en la historiografía, finalizando con la labor del Seminario de Estudos Galegos, donde los autores celtistas eran conscientes del fuerte empleo ideológico  y político   a favor del nacionalismo gallego a través de sus investigaciones. "Contra lo que se acostumbra a pensar, conceptos como estado, etnia y etnicidad también eran estudiados en una declaración ética de intenciones que hasta la actualidad no fue muy frecuente en la investigación protohistórica en Galicia"[7] 

 

Para los autores anticeltistas o celtófobos, el proceso de gestación de la Cultura Castrexa responde a la unión de las influencias atlánticas y mediterráneas que se suman a las contribuciones indígenas. Estas influencias se producirían durante el Bronce Final. La presencia céltica en la Gallaecia para nosotros los celtistas, responde a la teoría  "invasionista", sosteniendo el modelo trifuncional indoeuropeo y  demostrando el carácter jerarquizado y complejo de las comunidades galaicas prerromanas, por otra parte siendo estas comunidades organizadas en confederaciones ínter tribales y con una organización social basada en la importancia de las actividades guerreras.

 

Esta teoría de contactos fluidos en este arco atlántico y la posible colonización de las islas británicas desde el NO peninsular igualmente lo confirma la cultura material. La arqueología nos demuestra que la estructura de las viviendas célticas irlandesas y castrexas a ambas orillas del Atlántico, son prácticamente idénticas, así como el simbolismo empleado en sus objetos, tanto cotidianos como sagrados. Hay autores que piensan que la expansión de la cultura megalítica desde la Bretaña francesa, sur de Inglaterra e Irlanda, no se limitan a simples relaciones de tipo comercial, sino que es producto de una emigración peninsular. Los vasos campaniformes tomaron distintas formas en cada país, pero el grupo bretón se relaciona muy intensamente con los del bajo Tajo y Galiza, que a su entender son tan semejantes que puestos en un museo nadie podría diferenciarlos.[8]  

 

Con respecto a la lingüística,  creemos que la intensidad y persistencia de los intercambios en toda esta zona atlántica se debía a que existía una lengua "franca", ya que algunos autores (Mallory, Koch, Rankin) sostienen que desde Escocia hasta el NO de nuestra península celtibérica esa misma lengua céltica era reconocible perfectamente entre las diversas regiones de esa "Celtia atlántica". Así pues  "El indoeuropeo labio-velar KW o Q arcaico, se convirtió en bilabial P y eso produjo dos variedades principales, el Goidélico o Celta-Q y el Británico o Celta-P. En Irlanda se hablaba la variedad goidélica mientras que en el resto de las Islas Británicas, las Galias y resto del mundo céltico se pasó de la variedad Q a la P, con excepción de nuestra península, donde se siguió utilizando el celta-q. Las dos regiones periféricas del mundo céltico, Irlanda y Península Ibérica, no fueron afectadas por la evolución hacia el Celta-P de las regiones centrales"[9]     

 

Analogías en el folclore del arco atlántico.

También en el folclore popular se dan estas grandes similitudes, ya que las creencias sobrenaturales y la  "visión del Otro Mundo" que poseían estos pueblos célticos atlánticos, son muy semejantes, por no decir casi idénticas. Bajos los megalitos, bajo los castros, moraban seres míticos o sobrenaturales, los sidhe irlandeses,  hadas británicas  y "mouras" galaicas o "xanas" asturianas. Es una creencia firme y arraigada entre las gentes, que los antiguos castros  eran morada de estas hadas o "mouras", es decir, las "gentes mágicas" que no eran cristianas y que eran paganas. La apologética cristiana tradujo a esta antigua religión y a sus seres míticos en enemigos de la nueva fe. Se relacionó de forma tendenciosa a esos seres míticos con prácticas mágicas como las que podían celebrar los infieles que cobraban fuertes tributos, los enemigos e invasores que provenían de África bajo fe islámica. Según algunos autores, estas creencias nos serían propiamente célticas, sino más bien pre-célticas y estas "gentes mágicas" serían relacionadas con el mundo ctónico.

 

Las creencias en torno a los muertos, sus apariciones y augurios se reflejan dentro del folclore popular en torno a un fenómeno similar conocido con diferentes nombres dentro del mundo céltico atlántico. Son la Santa Compaña gallega, la Huestia asturiana, el Fairy Host irlandés, la Sluagh escocesa y el Toili galés.  Poseen lógicamente sus diferencias pero sus  grandes afinidades han sido estudiadas por antropólogos, concluyendo que estas creencias relacionadas entre las almas de los difuntos y sus visitas o coexistencia con los vivos, son reflejo de  una ancestral creencia que el cristianismo no pudo acabar completamente con ella.  Tuvo que  "santificar" el Día de Todos los Difuntos, que no es sino como es ampliamente conocido, el "Samaìn" céltico. Según me relató el amigo Olegario de las Eras, la Santa Compaña, la Huestia asturiana y sus paralelismos escoceses, irlandeses y galeses, esta creencia posiblemente sería un recuerdo de la Hueste furiosa, de la Wildes Heer o cofradía de guerreros muertos que transitan en la noche y que nos ha llegado un tanto deformada en nuestra memoria popular a través de los siglos.            

  

Mitología comparada. La afinidad gaélica y galaica.

Sin duda alguna, la mitología comparada de las divinidades  irlandesas y galaicas, nos proporciona  a este breve repaso de afinidades, mas que interesantes analogías conocimientos. Recordaremos  de modo esquemático que las religiones indoeuropeas se caracterizan por habitar en su panteón una serie de dioses con unas características bien definidas, tal como las dividió Dumezil:

1.- Una pareja de dioses que desenvuelven actividades complementarias pero opuestas, Sacerdocio-Realeza, que en el panteón védico corresponden con Mitra y Varuna.  

2.- Un dios propio de la casta guerrera, detentador de grandes hazañas y sobre el cual reposa el orden del mundo, que correspondería a Indra

3.- Una pareja de dioses propiciadores de salud, fecundidad, abundancia y prosperidad, deidades características de la casta de la tercera función, que se corresponderían con Nasatya y Ashvin.

4.- Y por último, una única divinidad femenina, pero a su vez trifuncional, es decir, Santa, Guerrera y Maternal.

 

Estas características se repiten en la religión céltica tanto de Irlanda como de Galiza, si bien con nombre diferentes. Así como el panteón céltico irlandés es conservado a través de su fecunda literatura, no ocurre lo mismo con la religión céltica castrexa galaica, que es reconstruida a través del estudio de teónimos y topónimos.

 

Dentro del panteón irlandés, el único dios supremo y rey universal es Lug Samildanach.  Así pues dentro de la primera función realeza-sacerdocio, en el caso irlandés correspondería a Nuada-Ogme y a Dagda-Mananan. En el caso galaico-lusitano igualmente aparece Lugu, donde el teónimo aparece en aras con el epíteto de Arquienobo/Arquienis. Su variante celtibérica sería Arconi, y su etimología nos remite al indoeuropeo orksos, (oso), con mas que evidentes paralelismos con el romano Mercurio Artaius o con el galo Artio/Artioni. Este epíteto relacionado con el oso y la estrella polar procedente de la Tradición Primordial, de carácter regio y soberano, de clara memoria hiperbórea ya nos lo explicó René Guénon.[10] Proseguimos en su correspondencia relativa al carácter  sacerdotal del dios-druida Dagda, su teónimo sería el de Mocio/Muciaeco (puerco, verraco, jabalí),  tal como lo atestiguan las aras de Santa Comba de Bande en Ourense o de Viana do Castelo en Portugal, acompañado del adjetivo Carus (querido), pudiendo muy bien aludir a Dagda, que es un dios muy apreciado por su bondad[11]

   

El dios propio de la casta guerrera, como el Ogmios/Ogme galo- irlandés, en el caso galaico-lusitano sería Bandua,  versión del dios indoeuropeo de los "lazos mágicos", cuya etimología la encontramos en el indoeuropeo bhendh  (atar, ligar), faceta agitada y violenta que representa  la unión de la fuerza y la magia para la protección del poder soberano. Los epítetos de Bandua no hacen sino reafirmar  su carácter mágico-guerrero, entre los cuales podemos destacar de los siguientes: Apolosegos, como fuerte y victorioso, Cadogus como combatiente, Roudeaecus como el color guerrero que es el rojo.

 

En lo relativo a la diosa trifuncional, la Brigit/ Dana irlandesa posteriormente cristianizada bajo Santa Brígida, como patrona de Irlanda, en la religión castrexa galaica igualmente la encontramos bajo la triple advocación de conservatrices, victrices y gubernatrices en las Matres Galaicis, que nos proveen de las riquezas agrícolas, de la "fartura" y abundancia de sus frutos y cornucopias que acompañan en sus representaciones. La prueba de que no solamente poseían un aspecto de conservatrices estas Matres, está en su apelativo Matres Suleviae (Solares), que en la Gallaecia recibían el de Nantugaicis, aproximándose a la gala Nantosuelta, (la que tiene el esplendor del Sol). Las advocaciones británicas de Victoria Brigantia (Victoria poderosa) y de Andrasta, nos emparientan al topónimo galaico de Brigatium  y a la diosa gala Andarta (la gran osa... recordar de nuevo el simbolismo primordial y regio del oso). Navia es una diosa confundida generalmente con simples corrientes fluviales como lo atestigua de manera considerable la hidronimia. Pero lejos de ser una divinidad menor, las inscripciones en las aras atestiguan importantes sacrificios en su honor, equiparables a otros dioses importantes, acompañada con el epíteto de Corona, como Jefa de los Ejércitos, puesto que según interpretaciones, la virginidad sería la expresión común de la independencia de las diosas de la guerra en las sociedades indoeuropeas. Así pues Navia Corona, al estar relacionada con las aguas, ríos o espacios acuáticos sería guardiana del acceso al Otro Mundo, quizás la antigua evocación de la medieval Dama del Lago de la leyenda artúrica, así como la leyenda de las xacias Juana, Viviana y Ana son ecos populares de esa triple función de Brigit/Dana.  

 

 

 Cultos solares, piedras sagradas e iniciación guerrera   

Otra analogía y afinidad entre los pueblos galaico e irlandés es el valor religioso que para ambos poseen las piedras sagradas, piedras iniciáticas y onfálicas. La función soberana debe fecundar la tierra, la piedra bruta es  según la Tradición la "materia prima", el "caos" en tanto micro como macrocósmicamente, debe de ser labrado para ser  ordenado. Los petroglifos podomorfos testimoniados por diversas fuentes célticas eran emplazamientos destinados a la celebración de rituales donde el caos, la tierra era fecundada y ordenada por el soberano, por el guerrero y  el héroe. La piedra "capital" de  Crom Crúach en Irlanda, estaba situada en el centro de la isla, en el Mide, lugar de elección de los reyes de Irlanda. Un dato curioso es que la forma gallega de piedra, "croio" procede del céltico.  Conocida también es la leyenda de la Piedra del Destino escocesa que servía para el ritual de investidura de los reyes escoceses y posteriormente robado por los anglosajones, sirviendo en la Abadía de Westminster para la coronación de los reyes de Inglaterra, siendo esta piedra escocesa de origen galaico o egipcio según versiones de la leyenda. Este ritual de elección de jefe de clan, de rey es ampliamente conocida a lo largo del mundo céltico, tal como nos lo relata Guyonvarc´h con respecto a la piedra de Fal, piedra de elección que emitía un grito bajo los pies del aspirante a rey. Igualmente en las Islas Shetland, reservado para tal fin, se encontró un bloque de piedra con el perfil de dos pies a las puertas de la fortaleza británica de Clikhimin. Y en Galiza, en Cabanas (Coruña), sobre una gran piedra elevada sobre la hoz del rió Eume, es conocido este petroglifo podomorfo como la "Pedra da Elección", siendo el lugar donde se elegían los alcaldes antiguamente. Otra tradición es la de A Pena de Nosa Señora, en Cambre (Coruña), donde según la versión cristianizada, la Virgen posó sus pies, siendo esta piedra posiblemente al igual que otras muchas lugar ritual de la iniciación o elección del jefe, como la del castro de Amoeiro.

   

El simbolismo de estas piedras iniciáticas era como hemos dicho, la fecundación de la Tierra, el orden del soberano sobre el caos y este ritual podía ser sustituido por otro análogo que consistía en calzarle un solo zapato al rey, puesto que así lo atestigua la literatura irlandesa, sobre el uso de una sandalia en actos de investidura y en reclamación de derechos de realeza (fer an énais, hombre de una sandalia). Al portador de esta sandalia, según la Tradición, le es permitido andar tanto sobre las aguas como sobre la tierra, revelando un origen sobrenatural. Estos ritos de investidura son conocidos bajo el tema de "monsandalismo"/"monokrépides", representación mítica común en el mundo indoeuropeo relativo a la virtual convergencia del Otro Mundo con este a través de un héroe calzado solamente con un zapato[12]. Este rito quizás sea el que se repite en rituales de iniciación masónicos.   

 

Y si alguien ha dudado de la religión castrexa galaica como un puñado de simples creencias panteístas y animistas, con un carácter "lunar" y ctónico, que se disipen dudas puesto que  la realidad actual nos demuestra que  nada más lejos de eso, puesto que recientes investigaciones realizadas por historiadores de la Universidad de Santiago de Compostela en torno al estudio de una alineación arqueoastronómica en A Ferradura (Amoeiro-Ourense)  reafirman el carácter solar de cultos y ritos de los celtas castrexos en torno a la situación y construcción de algunos de sus asentamientos, con idénticas analogías de varias ciudades galas, situadas en meandros y confluencias de ríos, como Condate, Vesontio, Alesia, Lugdunum. Esta analogía se repite en el mundo indoeuropeo en otras zonas geográficas, como la India, donde como curiosidad la localidad donde confluyen el Ganges y el Yamuna, se llama Devprayag, cuya etimología Deva,  (Diosa), tiene similitud entre el propio Miño y un afluente suyo, el Deva. "Los elementos de cultura céltica son innegables: la importancia del sol, considerando el hecho de que el dios céltico Lug tiene significativas asociaciones solares, la cercanía de los podomorfos sobre los que en todo el mundo céltico se celebran investiduras reales junto con el hecho de que la realeza en general forma parte del ámbito gobernado por el dios Lug"[13]

 

Concluyendo, a modo esquemático hemos repasado una serie de analogías y paralelismos, desde la genética hasta la leyenda, desde la religiosidad céltica y las advocaciones de sus dioses hasta la lingüística y la antropología,  entre dos pueblos y dos tierras que conservan aun viva su lejana memoria céltica, puesto que la llevan no solo en su alma y en su sentimiento, sino también en sus genes. Ese recuerdo, esa memoria dormida  debe  florecer y despertar en estos tiempos plúmbeos, densos y oscuros  para poder   volver a cantar cual bardos, sagas y poemas no solo de nostalgia, sino  también de futuro-presente.

 

CELTIA[14]

Ei Armórica, Cornubia e  Cambria

Escócia, Erín, Galiza,

E a illa de Man.

 

Son as sete nacións celtas

Fillas do pai Breogham,

Miña Pátria Galiza,

Ti és e ti serás

Cos teus verdes agros

O mais quente fogar.

 

Son os sete cisnes brancos

Fillos dos Dedanians,

Para ti miña pátria

Nos beizos un cantar,

Nos peitos a ledicia

Da nosa mocedá.      

           

Federico Traspedra

(Samain 2006)

    Orgâo da sociedade NÓS, "Irlanda e Galiza" de  V.Risco, nº 8. Ourense, dezembro 1921.

[2] LEABHAR GHABHALA "El libro de las invasiones" edición de Ramón Sainero, Akal 1988.

[3] Hay discrepancias  entre los historiadores  si Brigantium es la actual Coruña o bien Betanzos.

[4] Aimirgin es considerado como el primer bardo o poeta de Irlanda, siendo este del clan de Mil.

[5] Diario "La Voz de Galicia", 22 de Septiembre de 2006.

[6] Existe en Galiza una nueva corriente de autores que sostienen el carácter céltico del NO peninsular en época protohistórica. Cabe destacar a A. Pena Graña, B. García Fdez-Albalat, R.Brañas entre otros  estudiosos de la Cultura Castrexa.

[7] "Os celtas en Galicia. Arqueoloxía e política na creación da identidade galega" Beatriz Díaz Santana. Ed. Toxosoutos 2002, Pág. 42.

[8] "Afinidades culturais entre Galicia e Irlanda" Elisabeth Frances Keating. Ed. Galaxia, Vigo 1988. Pág. 46

[9] "Os Celtas da Antiga Gallaecia" Manuel Alberro. Ed Toxosoutos, Noia 2004.  

[10]   Ver René  Guénon "Símbolos fundamentales de la Ciencia Sagrada" -Cáp.24 "El Jabalí y la Osa"

y en  "Un símbolo indoeuropeo: el Jabalí" F.Traspedra. Revista Tierra y Pueblo nº 7 Diciembre2004

[11] "Deuses, heroes e lugares sagrados" Rosa Brañas, Sotelo Blanco Edicións. 2000. Pág.58

[12] Op. Cit. Pág. 75. Rosa Brañas

[13] "Alineación arqueoastronómica en A Ferradura (Amoeiro-Ourense)" M. García Quintela/M. Santos Estévez COMPLUTUM 2004 Vol. 15

[14] Himno de la organización juvenil  nacionalista gallega ULTREYA, de orientación neotradicionalista. La autoría del poema es atribuida a X.Filgueira Valverde.